Às Mangas!
Tradução de Laura Erber
SINOPSE
Às Mangas! parte de mangas verdes com pimenta na saída da escola para desdobrar uma teoria do gosto como território político. Françoise Vergès atravessa memórias de infância na Ilha da Reunião, metáforas canibais da escravidão, e a invisibilização sistemática da gastronomia africana — reduzida a “alimento” humanitário, nunca a culinária ou prazer. O texto atravessa a triangulação culinária de Lévi-Strauss, o apagamento da gastronomia africana, e expõe o imaginário canibal no momento do pavor colonial. Vergès mostra como a cozinha crioula das ilhas do Índico — complexa e sofisticada, nascida do encontro forçado entre África, Ásia e Europa — é prática complexa de invenção. Entre receitas e análise política, o ensaio afirma os sabores como territórios de disputa: pela memória, pelo prazer, pelo direito à existência fora das imagens insistentes de fome e desespero.
TRECHO DO LIVRO
“Não se trata de uma fusão — ‘cozinha de fusão’ talvez fosse um nome mais adequado para uma papinha de bebê —, mas de uma prática sofisticada, capaz de pôr em diálogo receitas vindas da China, da Índia, da Europa, da África e de Madagascar.”
