Perfurar as linhas de cor: O Japão e o problema racial no “não Ocidente”
Tradução de Kevin Rose
SINOPSE
Como a Ásia e, mais particularmente, o Japão, se insere no debate racial? É uma questão complexa, que exige uma perspectiva capaz de ir além do enquadramento habitual. Em 1905, a vitória do Japão sobre a Rússia abalou a crença na supremacia branca e acendeu esperanças anticoloniais em todo o mundo colonizado — mas o mesmo país que rompeu essa hierarquia racial também se consolidou como potência imperialista intrarregional, subjugando coreanos, chineses, ainu e okinawanos em nome de uma suposta superioridade japonesa.
Neste ensaio, Carmina Yu Untalan investiga um paradoxo incômodo: por que Estados e sociedades que sofreram racismo aderem, eles mesmos, a lógicas raciais de dominação? Para a autora, a resposta está no humilhante encontro do Japão com o Ocidente: incapaz de ser plenamente reconhecido como igual pela ordem racial branca, o país reagiu a essa humilhação construindo e reforçando suas próprias fantasias de superioridade racial. Articulando psicanálise lacaniana e relações internacionais, Untalan acompanha essa trajetória — do período Meiji aos mitos raciais da Segunda Guerra Mundial — para mostrar como o racismo não é privilégio do mundo branco, e como suas marcas seguem vivas no Japão contemporâneo.
Um convite para pensar a linha de cor global para além do binarismo branco/não-branco.
